“Estamos sempre de passagem, até à passagem final”, diz Papa

Francisco celebrou neste sábado, 3, os cardeais, arcebispos e bispos, que faleceram de 2017 a 2018: “a vida é uma contínua chamada a sair”

Da redação, com Vatican News

Papa Francisco durante celebração neste sábado, 3/ Foto: Vatican Media

O Santo Padre presidiu na manhã deste sábado, 3, na Basílica vaticana, a celebração Eucarística em sufrágio dos 154 cardeais, arcebispos e bispos, que faleceram de outubro de 2017 a outubro de 2018. Somente no Brasil, faleceram 12 bispos e 4 arcebispos. Em sua homilia, o Papa refletiu sobre a parábola evangélica das dez virgens que saíram ao encontro do noivo.

“Para todos, a vida é uma contínua chamada a sair: do ventre da mãe, da casa onde se nasceu, da infância para a juventude, da juventude para a idade adulta e até a saída deste mundo. Também para os ministros do Evangelho: sair da casa dos pais e ir para onde a Igreja os envia, de um serviço para o outro; estamos sempre de passagem, até à passagem final”, comentou Francisco.

Segundo o Papa, o Evangelho lembra o sentido da contínua saída, a de ir ao encontro do noivo. “O objetivo da nossa vida é seguir o anúncio, que acolhemos no momento da morte: ‘Eis que vem o noivo, ide ao seu encontro!’”, frisou. Para o Pontífice, este é o sentido e orientação da vida, o de ir ao encontro com Jesus, que amou a Igreja e se entregou por ela. “Logo, a vida é uma saída para crescer no amor”. E Francisco acrescentou:

“Viver é uma preparação diária para as núpcias, um grande namoro. Vivo como alguém que se prepara para o encontro com o noivo? No nosso ministério não devemos esquecer o fio da meada: a expetativa do encontro com o noivo, um encontro de amor. Só assim o corpo visível do nosso ministério será sustentado por uma alma invisível”.

Francisco citou o apóstolo São Paulo, que diz: “Não olhamos para as coisas visíveis, mas para as invisíveis, porque as visíveis são passageiras, ao passo que as invisíveis são eternas”. De acordo com o Santo Padre, é preciso olhar para além, não para as coisas terrenas: “O essencial é invisível aos olhos”, afirmou o Pontífice.

“Diante do Senhor, não contam as aparências, conta o coração. O que o mundo procura e ostenta, como as honras, poder, aparências e glória, passa, sem deixar qualquer vestígio. É preciso afastar-se das aparências mundanas e se preparar para o Céu. É preciso dizer não à ‘cultura da maquilhagem’, que cuida apenas das aparências”, alertou.

Além das aparências mundanas, o Papa citou um segundo aspecto, referindo-se ao óleo, que mantêm acesa a chama das lamparinas das dez Virgens. “Queimando ilumina, irradia luz, se consome. Logo, o segredo da vida é viver para servir”, comentou. Para Francisco, o sentido da existência é responder à proposta de amor de Deus, que passa através do amor verdadeiro, do dom de si mesmo, do serviço.

“Servir custa, porque significa gastar-se, consumir-se; mas, no nosso ministério, quem não vive para servir, não serve para viver. Quem cuida demais da própria vida, a perde”. Além das aparências e do serviço do ministro de Deus, Francisco falou de uma terceira caraterística do óleo: a preparação. De acordo com o Pontífice, o óleo deve ser preparado em tempo e levado sempre com os presbíteros. “O amor pode ser espontâneo, mas não se improvisa”, revelou.

O Pontífice frisou que, por causa da falta desta preparação, as virgens insensatas não participaram das núpcias. E encerrou: “Agora é o tempo da preparação: no momento presente, no dia a dia devemos alimentar o amor. Peçamos a graça de renovar, cada dia, o nosso amor primordial pelo Senhor, que não se deve apagar. Os chamados às núpcias com Deus não podem ter uma vida sedentária, amorfa, efêmera, desleixada, rotineira, mas uma vida plena para doá-la aos irmãos”.

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