Finados

Os primeiros relatos de uma comemoração coletiva relativa ao dia dos fies defuntos
foram encontradas entre os séculos XII e IX no continente Europeu, nesta época o
dia 02 de novembro foi escolhido para a celebração devido a sua proximidade com
a solenidade de todos os Santos. Sendo assim, o dia de finados não é um feriado
qualquer para a igreja católica, mas sim, de uma oportunidade de se rezar pelos
entes queridos que buscam a plenitude da vida diante da face de Deus.
Esta comemoração de todos os fiéis falecidos evidencia a Igreja de Cristo como:
peregrina, purgativa e triunfante que celebra o mistério pascal, o que fortalece e
explica a esperança que deve brotar no coração dos cristãos, sendo estes
convidados a não parar na morte, mas enxerga-la na perspectiva da ressurreição de
Cristo.

A Igreja está repleta de tradições e ensinamentos sobre a oração pelos mortos. S.
João Crisóstomo (349-407), que foi bispo e doutor da Igreja, já no século IV
recomendava orar pelos falecidos: “Levemos-lhe socorro e celebremos a sua
memória… Porque duvidar que as nossas oferendas em favor dos mortos lhes leva
alguma consolação? Não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer as
nossas orações por eles” (Hom. 1Cor 41,15). Além disso os Apóstolos instituíram a
oração pelos mortos, que lhes presta grande auxílio e real utilidade” (In Philipp. III 4,
PG 62, 204).

Ressalta-se ainda que, no dia de Finados, os cristãs não festejam a morte, mas a
vida após a morte, a ressurreição que Cristo nos conquistou com sua morte e
Ressurreição. Neste sentido, o Catecismo da Igreja ressalta que: “Reconhecendo
cabalmente esta comunhão de todo o corpo místico de Jesus Cristo, a Igreja
terrestre, desde os tempos primeiros da religião cristã, venerou com grande piedade
a memória dos defuntos…”(CIC, § 958), ainda que “A nossa oração por eles [no
Purgatório] pode não somente ajudá-los, mas também torna eficaz a sua
intercessão por nós”. (CIC, § 958).

O Papa João Paulo II disse sobre os falecidos: “Numa misteriosa troca de dons, eles
[no Purgatório] intercedem por nós e nós oferecemos por eles a nossa oração de
sufrágio.“ ( LR de 08/11/92, p. 11)

Observa assim que a tradição da Igreja exortou sempre a rezar pelos mortos, o
fundamento da oração de sufrágio encontra-se na comunhão do Corpo Místico,
recomenda-se a visita aos cemitérios, o adorno dos sepulcros e o sufrágio, como
testemunho de esperança confiante, apesar dos sofrimentos pela separação dos
entes queridos” (LR, n. 45, de 10/11/91).

Portanto, o Papa João Paulo II deixou bem claro que as almas do Purgatório
também rezam por nós. E mostrou também que é importante ir ao Cemitério e
enfeitar os túmulos dos falecidos como sinal de nossa esperança na ressurreição.

Doutrina das Indulgências

O Papa Paulo VI, 1967, afirma que, “a doutrina e o uso das indulgências vigentes na
Igreja Católica há vários séculos encontram sólido apoio na Revelação divina, a qual
vindo dos Apóstolos, se desenvolve na Igreja sob a assistência do Espírito Santo,
enquanto a Igreja no decorrer dos séculos, tende para a plenitude da verdade
divina, até que se cumpram nela as palavras de Deus (Dei Verbum, 8) e ( DI, 1).

Neste contexto, a indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal vinda
dos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em
certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja, a qual, como
dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das
satisfações de Cristo e dos Santos. Através das ‘’indulgências, os fiéis podem obter
para si mesmos e também para as almas do Purgatório, a remissão das penas
temporais, sequelas dos pecados” (Catecismo da Igreja Católica, 1498).

São condições para ganhar a indulgência plenária:

  • Confessar-se bem, rejeitando todo pecado;
  • Participar da Santa Missa e comungar com esta intenção;
  • Rezar pelo Papa ao menos um Pai Nosso, Ave Maria e Glória e
  • Visitar o cemitério e rezar pelo falecido.

Por Marcia Oliveira

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