Papa aos líderes do Sudão do Sul: “Que o fogo da guerra se apague”

Encontro de Francisco com os líderes do Sudão do Sul, reunidos no Vaticano nesta quinta-feira, 11, foi marcado por pedido de paz

Da redação, com Vatican News

Papa Francisco reunidos com os líderes do Sudão do Sul/ Foto: Vatican Media

“Imploro que o fogo da guerra se apague uma vez por todas, que possam voltar para suas casas e viver em serenidade. Suplico ao Deus Todo-Poderoso que a paz chegue à terra de vocês, e me dirijo também aos homens de boa vontade a fim de que a paz chegue a seu povo”, foi o que disse o Papa Francisco aos líderes do Sudão do Sul na tarde desta quinta-feira, 11. O Pontífice encontrou-se com as autoridades que estavam reunidas na Casa Santa Marta, no Vaticano, no encerramento do retiro espiritual proposto às máximas autoridades civis e eclesiásticas do jovem país africano, independente do Sudão desde julho de 2011.

Segundo o Santo Padre, a finalidade do retiro é que os líderes ficassem juntos diante de Deus para discernir a vontade do Pai: “É refletir sobre a própria vida e sobre a missão comum que nos confia; é tornar-se conscientes da enorme responsabilidade pelo presente e pelo futuro do povo sul-sudanês; é comprometer-se, revigorados e reconciliados, com a construção da Nação de vocês”.

Num discurso articulado – com saudação inicial e contextualização, Olhar de Deus, Olhar do povo e Oração final – Francisco fez uma forte exortação aos líderes sul-sudaneses a buscar aquilo que os une, a começar pela pertença ao mesmo povo, e a superar tudo aquilo que os divide. Após ter agradecido pela boa vontade e o coração aberto com o qual acolheram seu convite a participar deste retiro no Vaticano, o Santo Padre dirigiu uma saudação particular ao arcebispo de Cantuária e primaz da Comunhão Anglicana, Justin Welby, idealizador desta iniciativa, bem como ao ex-Moderador da Igreja Presbiteriana da Escócia, Rev. John Chalmers.

“Desejo dirigir-me a vocês todos com as mesmas palavras do Senhor ressuscitado: ‘A Paz esteja convosco!’”, disse o Papa no início de sua reflexão. “Desejo a mesma saudação a vocês, que vieram de um contexto de grande tribulação para si e para seu povo, um povo muito sofrido pelas consequências dos conflitos. A paz é o primeiro dom que o Senhor nos trouxe e é a primeira tarefa que os chefes das nações devem buscar: ela é a condição fundamental para o respeito dos direitos de todo homem, bem como para o desenvolvimento integral do povo em sua totalidade”, acrescentou.

Referindo-se à natureza deste encontro de dois dias no Vaticano, o Pontífice destacou que o mesmo é totalmente particular e, num certo sentido, único, por não se tratar de um habitual e comum encontro bilateral ou diplomático entre o Papa e os chefes de Estado e nem mesmo de uma iniciativa ecumênica entre os representantes das várias comunidades cristãs.

Segundo Francisco, a palavra “retiro”, por si mesma, já indica um distanciamento voluntário de um ambiente ou uma atividade para um lugar apartado. Quanto ao adjetivo “espiritual”, o Santo Padre explicou que sugere que este novo espaço de experiência seja caracterizado pelo recolhimento interior, pela oração confiante, pela reflexão ponderada e pelos encontros reconciliadores, para poder trazer bons frutos para si mesmos e, consequentemente, para as comunidades às quais pertencem.

“Queridos irmãos e irmãs, não esqueçamos que Deus confiou a nós, líderes políticos e religiosos, a tarefa de ser guias de seu povo: confiou-nos muito, e justamente por isso cobrará muito mais de nós! Pedirá conta de nosso serviço e da nossa administração, do nosso compromisso em favor da paz e do bem realizado para o bem das nossas comunidades, em particular dos mais necessitados e marginalizados, em outras palavras, pedirá conta da nossa vida, mas também da vida dos outros. O gemido dos pobres que têm fome e sede de justiça nos obriga em consciência e nos empenha no serviço. Eles são pequenos aos olhos do mundo, mas são preciosos aos olhos de Deus”, comentou o Papa.

Após ressaltar esse “aos olhos de Deus”, o Pontífice recordou os três olhares do Senhor sobre o apóstolo Pedro. O primeiro é quando Jesus fixa seu olhar em Simão e lhe diz que dali em diante o chamará de Pedro, sobre cuja “pedra” edificará sua Igreja.

O segundo olhar se dá no início da noite da Quinta-feira Santa. “Após tê-lo negado três vezes, Jesus fixa novamente o olhar nele, tocando seu coração e suscitando a sua conversão. Por fim, após a ressurreição, à margem do lago de Tiberíades, Jesus fixou mais uma vez o olhar sobre Pedro, pedindo-lhe que declarasse seu amor por três vezes e confiando-lhe novamente a missão de pastor de seu rebanho”, recordou.

Qual é hoje o olhar de Jesus sobre mim? A que me chama? O que o Senhor quer me perdoar e o que pede para mudar em minha atitude? Qual é a missão e a tarefa que Deus me confia para o bem de seu povo? – foram interrogações feitas por Francisco no discurso aos líderes sul-sudaneses.

Por fim, o Santo Padre destacou também o olhar do povo: “é um olhar que expressa o desejo ardente de justiça, de reconciliação e de paz”. “Neste momento desejo assegurar minha proximidade espiritual a todos seus compatriotas, em particular aos refugiados e aso doentes, que ficaram no país com grandes expectativas e apreensivos, à espera do êxito deste dia histórico”, disse Francisco que lembrou que a paz é possível.

Por fim, o Pontífice disse ter tomado conhecimento com grande confiança, em setembro passado, de que os altos representantes políticos do Sudão do Sul tinham estipulado um acordo de paz, congratulando-se e fazendo votos de cessem as hostilidades e o armistício seja respeitado.

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