A autoridade não é comando, mas coerência e testemunho, adverte Papa

“Quanto mal fazem os cristãos ‘incoerentes’ e os pastores ‘esquizofrênicos’ que não dão testemunho”, alertou Francisco na homilia desta sexta-feira, 14

Da redação, com Vatican News

Papa Francisco durante missa na Capela da Casa Santa Marta/ Foto: Vatican Media via Reuters

“Jesus ensinava como quem tem autoridade”. O Evangelho de Marcos (Mc 1,21-28) narra Jesus que ensina no templo, a reação das pessoas e o seu modo de agir com “autoridade”, diferente dos escribas. A partir destes três pontos, o Papa Francisco explicou na homilia da missa desta terça-feira, 14, na capela da Casa Santa Marta, a diferença que existe entre “ter autoridade”, “autoridade interior”, como a de Jesus, e quem “exercita a autoridade sem tê-la, como os escribas”, que mesmo sendo especialistas no ensinamento da lei e ouvidos pelo povo, não eram críveis.

O Pontífice questionou: “Qual é a autoridade que Jesus tem?”. Segundo o Santo Padre a autoridade de Jesus é o estilo do Senhor, a “senhoria” com a qual o Senhor se movia, ensinava, curava, ouvia. Este estilo senhorio mostra, de acordo com Francisco, a coerência. “Jesus tinha autoridade porque era coerente com aquilo que ensinava e aquilo que fazia, isto é, como vivia. Aquela coerência é o que dá a expressão de uma pessoa que tem autoridade: ‘Esta pessoa tem autoridade porque é coerente’, ou seja, dá testemunho. A autoridade se mostra nisto: coerência e testemunho”, argumentou.

Os escribas, ao contrário de Jesus, não eram coerentes, afirmou o Papa. “Jesus, de um lado adverte o povo a fazer o que diziam, mas não o que faziam; de outro, não perde a ocasião para repreendê-los, porque com esta atitude caíram em uma esquizofrenia pastoral”, observou o Pontífice, que completou: “Diziam uma coisa e faziam outra”.

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A palavra que Jesus usa para qualificar a incoerência do povo, a esquizofrenia, é a “hipocrisia”, frisou Francisco. “A hipocrisia é o modo de agir daqueles que têm responsabilidade sobre as pessoas – neste caso, responsabilidade pastoral –, mas não são coerentes, não são senhores, não têm autoridade. E o povo de Deus é manso e tolera; tolera muitos pastores hipócritas, muitos pastores esquizofrênicos que dizem e não fazem, sem coerência”, advertiu.

Os católicos que tanto toleram, também sabem distinguir a força da graça, destacou o Santo Padre. Fazendo referência à Primeira Leitura de hoje, em que o idoso Eli tinha perdido toda a autoridade e tinha ficado somente com a graça da unção e, com aquela graça abençoou e fez um milagre em Ana, que por sua vez suplicava para ser mãe, o Papa fez uma consideração acerca dos cristãos e dos pastores:

“O povo de Deus distingue bem entre a autoridade de uma pessoa e a graça da unção. ‘Mas você vai se confessar com aquela pessoa, que é isso, isso e isso?’ – ‘Mas para mim ele é Deus. Ponto. Ele é Jesus’. E esta é a sabedoria do nosso povo, que tolera tantas vezes, tantos pastores incoerentes, pastores como os escribas, e também cristãos que vão à missa todos os domingos e depois vivem como pagãos. E as pessoas dizem: ‘Isto é um escândalo, uma incoerência’. Quanto mal fazem os cristãos incoerentes que não dão testemunho e os pastores incoerentes, esquizofrênicos, que não dão testemunho!”.

O Pontífice concluiu a homilia pedindo ao Senhor para que todos os batizados tenham a “autoridade”, que não consiste em comandar e aparecer, mas em ser coerente, ser testemunha e, por isso, ser companheiro de estrada no caminho do Senhor.

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